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Do Coro da Vila em Tiradentes – MG

Por Giba Ribeiro

Enquanto o ônibus se afasta de São Paulo, algumas pessoas mais sensíveis conseguem perceber uma bruma densa desprendendo-se das janelas e de cada orifício do veículo. Lá dentro, pessoas e anseios pulsam como um só coração e um só propósito. Cantar.

A conta que não paguei, o beijo deixado pra depois, a atitude de soberba com o melhor amigo. Cada sentimento negativo alimenta aquela bruma. Que se adensa, escurece e se esvai no ar. Magicamente torna o ônibus mais e mais leve. Muitos acham ser apenas fumaça saindo daquele escapamento. Mas esses são os menos dotados de sensibilidade. E dentro do veículo, à medida que deixa a capital, vai pairando uma leveza, um descanso, não físico, mas de alma.

Estamos indo para Minas. Para a cidade de Tiradentes. Uma cidadezinha encravada no sopé da Serra de São José, próxima de São João Del Rei. Nas casas, o inconfundível estilo colonial, com paredes de toda a cor; as ruas capistranas, com pedras de todos os tamanhos.

Nosso ônibus – depois de duas apresentações aplaudidas de pé no Instituto Yves Alves de Tiradentes – voltou voando a São Paulo. Leve como as notas musicais dos meninos de Minas.

Alguns acharam pretensão, outros uma homenagem a Minas e aos mineiros. Cantar o Clube da Esquina em Minas Gerais foi, no mínimo, uma demonstração de confiança no trabalho do Coro da Vila e a certeza de que tanta preparação e tantos ensaios acabariam tendo como resultado um programa denso e de qualidade. Nada que se parecesse com pretensão, já que os mineiros que assistiram ao show nos paravam nas ruas para nos parabenizar. Os mineiros são um povo afável e generoso. Têm uma sensibilidade diferenciada e saberiam distinguir entre um trabalho superficial e uma verdadeira vontade de homenagear Minas Gerais.

Giba Ribeiro, é jornalista e integrante do naipe de baixos do Coro da Vila.